Software Design
Design de software é a etapa de planejamento detalhado que transforma a visão arquitetural de um sistema em soluções concretas para cada componente, módulo ou funcionalidade.
Ela envolve a definição de:
- Estruturas internas (classes, objetos, funções) e como elas se relacionam.
- Algoritmos e estruturas de dados que atendem às regras de negócio.
- Interfaces e contratos (APIs, serviços) que permitem a comunicação entre partes do sistema e com sistemas externos.
- Aspectos transversais como segurança, performance, testabilidade e manutenibilidade, garantindo que o código seja modular, coeso, fracamente acoplado e fácil de evoluir.
É a fase que detalha como cada parte do sistema será construída dentro da estrutura maior definida pela arquitetura, de modo a satisfazer os requisitos funcionais e não‑funcionais de forma clara, reutilizável e sustentável.
O foco principal é garantir que o produto final seja robusto e eficiente.
Relação com a Arquitetura
Enquanto a arquitetura define a “planta baixa” (a estrutura macro), o design foca nos detalhes internos.
O desenho define como os componentes interagem e como cada peça individual será implementada para funcionar harmoniosamente dentro do todo.
Objetivos Principais
O design busca equilibrar as necessidades técnicas e de negócio através de:
- Requisitos Funcionais: Garantir que o software faça o que o usuário precisa.
- Requisitos Não-Funcionais: Assegurar performance, segurança, disponibilidade e usabilidade.
Pilares de um Bom Design
Para que um sistema seja saudável a longo prazo, o design deve seguir três princípios:
- Clareza: O código e a estrutura devem ser fáceis de entender por outros desenvolvedores.
- Reutilização: Componentes devem ser modulares para evitar retrabalho e duplicidade.
- Sustentabilidade: A facilidade de manutenção e evolução do sistema ao longo do tempo, minimizando a “dívida técnica”.
Características Principais
O desenho (Design) de software possui como características principais:
| Característica | O que significa | Por que é importante |
|---|---|---|
| Modularidade | Dividir o sistema em módulos ou componentes bem‑definidos, cada um com responsabilidade única. | Facilita a compreensão, reutilização e manutenção; permite que equipes trabalhem em partes independentes. |
| Coesão | Cada módulo deve ter uma única finalidade forte (alta coesão). | Módulos coesos são mais previsíveis e mais fáceis de testar e evoluir. |
| Acoplamento baixo | Reduzir dependências entre módulos (acoplamento fraco). | Mudanças em um módulo têm pouco impacto nos demais, aumentando a flexibilidade. |
| Abstração | Ocultar detalhes de implementação e expor apenas interfaces relevantes. | Permite que diferentes partes do sistema evoluam independentemente e simplifica o uso de bibliotecas externas. |
| Encapsulamento | Agrupar dados e comportamentos relacionados e restringir acesso direto a eles. | Protege invariantes internos e impede uso indevido das estruturas de dados. |
| Separação de Responsabilidades (SRP – Single Responsibility Principle) | Cada classe ou componente deve ter apenas uma razão para mudar. | Reduz complexidade e facilita a localização de bugs. |
| Princípio Aberto/Fechado (OCP) | Entidades de software devem estar abertas para extensão, mas fechadas para modificação. | Permite adicionar novas funcionalidades sem alterar código existente, diminuindo risco de regressões. |
| Princípio de Substituição de Liskov (LSP) | Subtipos devem poder substituir seus tipos base sem alterar o comportamento esperado. | Garante que herança e polimorfismo funcionem corretamente. |
| Princípio da Segregação de Interface (ISP) | Clientes não devem ser forçados a depender de interfaces que não utilizam. | Evita “interfaces gordas” e mantém contratos claros. |
| Inversão de Dependência (DIP) | Módulos de alto nível não devem depender de módulos de baixo nível; ambos devem depender de abstrações. | Facilita a troca de implementações e melhora a testabilidade (injeção de dependência). |
| Reusabilidade | Projetar componentes que possam ser reutilizados em diferentes contextos. | Economiza esforço de desenvolvimento e garante consistência. |
| Testabilidade | Estruturar o código de modo que seja fácil escrever testes unitários, de integração e de aceitação. | Aumenta a confiabilidade e acelera a entrega contínua. |
| Legibilidade | Código claro, nomes expressivos, comentários úteis e organização lógica. | Facilita a manutenção por outros desenvolvedores e reduz erros. |
| Extensibilidade | Possibilidade de acrescentar novas funcionalidades com esforço mínimo. | Permite que o software evolua conforme novos requisitos surgem. |
| Performance consciente | Considerar custos de tempo e memória já na fase de design (algoritmos, estruturas de dados adequadas). | Evita gargalos que seriam difíceis de corrigir depois que o sistema já está em produção. |
| Segurança por design | Incorporar controles de acesso, validação de entrada, criptografia e outras práticas de segurança desde o início. | Reduz vulnerabilidades e custos de correção posterior. |
| Escalabilidade | Planejar como o sistema lidará com aumento de carga (horizontal/vertical). | Garante que o software continue atendendo às necessidades de negócio à medida que cresce. |
| Portabilidade | Minimizar dependências específicas de plataforma ou tecnologia. | Facilita migrações e execuções em diferentes ambientes (cloud, on‑premise, dispositivos). |
| Manutenibilidade | Estruturar o código para que mudanças futuras sejam simples e seguras. | Diminui o custo total de propriedade (TCO) ao longo da vida útil do software. |
Como aplicar essas características na prática
- Modelagem inicial – Use diagramas de classes, de sequência ou C4 para visualizar módulos, interfaces e fluxos.
- Definição de contratos – Crie interfaces claras antes de implementar a lógica concreta.
- Escolha de padrões de design – Aplicar padrões como Factory, Strategy, Decorator ou Repository ajuda a atender coesão, acoplamento e extensibilidade.
- Revisões de código – Avalie se as mudanças preservam alta coesão e baixo acoplamento; verifique aderência aos princípios SOLID.
- Testes automatizados – Escreva testes unitários logo ao criar cada classe; isso força um design mais desacoplado e testável.
- Refatoração contínua – Sempre que identificar violação de algum princípio, refatore antes de avançar.
- Documentação leve – Mantenha diagramas e README atualizados, mas evite documentação excessiva que fique desatualizada.
Ao considerar essas características durante o desenho de software, você cria bases sólidas que facilitam a arquitetura, a implementação e a evolução do sistema ao longo do tempo.
Tipos de Desenho
O “desenho de software” pode ser dividido em diferentes níveis e áreas de foco. Cada tipo aborda um aspecto específico do sistema e ajuda a garantir que ele atenda aos requisitos funcionais e não‑funcionais.
Abaixo estão os principais tipos reconhecidos na prática de engenharia de software:
| Tipo de Design | Escopo / O que cobre | Principais artefatos / atividades |
|---|---|---|
| Design de Arquitetura | Visão macro do sistema: divisão em subsistemas, componentes, camadas e como eles se comunicam. | Diagramas de componentes, diagramas de implantação, modelos C4, decisões de padrões arquiteturais (micro‑serviços, monólito, event‑driven, etc.). |
| Design de Componentes / Módulos | Estrutura interna de cada bloco identificado na arquitetura (pacotes, bibliotecas, serviços). | Diagramas de classes, diagramas de pacotes, definição de interfaces públicas, especificação de contratos. |
| Design de Dados (Modelagem de Dados) | Como a informação será armazenada, organizada e acessada. | Modelos ER, diagramas de classes de domínio, esquemas de banco de dados (SQL/NoSQL), mapeamento objeto‑relacional (ORM). |
| Design de Interface de Usuário (UI/UX) | Aparência visual e interação do usuário com o sistema. | Wireframes, mockups, protótipos interativos, guias de estilo, fluxos de navegação. |
| Design de Algoritmos / Lógica de Negócio | Soluções específicas para problemas computacionais e regras de negócio. | Pseudocódigo, diagramas de fluxo, tabelas de decisão, descrição de algoritmos (complexidade, escolha de estruturas de dados). |
| Design de Segurança | Estratégias para proteger o sistema contra ameaças. | Modelos de threat modeling, diagramas de confiança, políticas de controle de acesso, criptografia e gerenciamento de chaves. |
| Design de Performance / Escalabilidade | Como o sistema atenderá a requisitos de velocidade e carga. | Diagramas de cache, estratégias de particionamento/sharding, escolha de protocolos assíncronos, benchmarks preliminares. |
| Design de Integração / APIs | Definição de pontos de contato entre sistemas internos e externos. | Contratos de API (OpenAPI/Swagger), diagramas de sequência, padrões de integração (REST, gRPC, eventos). |
| Design de Testabilidade | Estrutura que facilita a criação de testes automatizados. | Estratégia de teste (unitário, integração, contrato), injeção de dependência, mocks/stubs, cobertura de código planejada. |
| Design de Implantação / Operações (DevOps) | Como o software será entregue, configurado e monitorado em produção. | Pipelines CI/CD, diagramas de infraestrutura como código (Terraform, CloudFormation), estratégias de rollout (blue‑green, canary). |
| Design de Internacionalização / Localização | Preparação do software para múltiplos idiomas e regiões. | Arquivos de recursos, padrões de formatação de data/hora/moeda, separação de texto da lógica. |
Como esses tipos se relacionam
- Hierarquia natural – O design de arquitetura define o “esqueleto” do sistema; sobre ele, são construídos os designs de componentes, dados, APIs, etc.
- Iteratividade – Muitas vezes, ao detalhar um nível (ex.: UI), surgem ajustes necessários na arquitetura ou nos requisitos de performance.
- Cross‑cutting concerns – Segurança, performance, testabilidade e observabilidade permeiam todos os tipos de design e precisam ser considerados em cada camada.
Quando focar em cada tipo
| Situação | Tipo(s) de design prioritário |
|---|---|
| Início de um projeto grande | Arquitetura, Componentes, Dados, APIs |
| Desenvolvimento de um novo recurso de UI | UI/UX, Componentes, Testabilidade |
| Requisitos de alta disponibilidade | Arquitetura, Performance/Escalabilidade, Deploy |
| Necessidade de conformidade regulatória (ex.: GDPR) | Segurança, Dados, Arquitetura |
| Integração com parceiros externos | APIs, Segurança, Integração, Deploy |
| Refatoração de código legado | Componentes, Testabilidade, Segurança, Performance |
O desenho de software abrange vários tipos, desde a visão macro da arquitetura até detalhes específicos como algoritmos, UI e estratégias de implantação. Cada tipo gera artefatos próprios e serve a objetivos claros, mas todos precisam estar alinhados para produzir um sistema coerente, seguro, escalável e fácil de manter. Se precisar aprofundar em algum desses tipos ou obter exemplos de artefatos, estou à disposição!
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